
A unha encravada costuma ser associada a um incômodo localizado, mas a situação merece atenção especial quando ocorre em pessoas com diabetes. Alterações na sensibilidade, na circulação e na integridade da pele podem reduzir a percepção de pequenos traumas e dificultar a identificação precoce de inflamações. Por isso, a unha encravada em pessoas com diabetes deve ser analisada no contexto de saúde dos pés, sem automedicação ou tentativas caseiras de retirar a parte da unha.
O cuidado começa pela observação. Mudanças discretas ao redor da unha, pressão do calçado e cortes inadequados podem abrir uma porta de entrada para lesões. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre prevenção de úlceras no pé diabético destaca a identificação de fatores de risco, o exame regular dos pés, a educação em saúde e o uso de calçados adequados como componentes importantes da prevenção.
Por que a unha encravada em pessoas com diabetes merece atenção especial?

Quando a borda da unha pressiona a pele, podem surgir dor, vermelhidão, inchaço e sensibilidade local. Em pessoas com neuropatia periférica diabética, entretanto, a percepção da dor ou do atrito pode estar diminuída. Isso significa que uma lesão pode evoluir sem chamar a atenção, especialmente quando a pessoa não consegue inspecionar os pés com frequência ou usa calçados apertados.
O risco não depende apenas da unha. A avaliação considera a condição da pele, a presença de calosidades, fissuras, deformidades, histórico de feridas, circulação e sensibilidade protetora. O Manual do Pé Diabético do Ministério da Saúde orienta que a prevenção seja baseada na estratificação de risco e no acompanhamento dos achados clínicos, e não em uma única queixa isolada.
Quais sinais indicam necessidade de avaliação profissional?
Vermelhidão que aumenta, inchaço, calor local, secreção, mudança na coloração da pele, sangramento, dor persistente ou surgimento de uma ferida ao lado da unha são sinais que merecem avaliação por profissional capacitado. Também é importante buscar orientação quando há dormência, queimação, formigamento ou dificuldade para perceber a temperatura, pois essas alterações podem modificar a forma como um trauma é percebido.
A ausência de dor não garante que não exista um problema. Uma ferida sem dor, uma área de pressão ou uma alteração que permanece por mais tempo deve ser registrada e examinada. Em caso de sinais gerais de mal-estar ou piora rápida, a procura por atendimento deve ser priorizada conforme a rede de saúde e os protocolos locais.
Como o corte das unhas e os calçados podem influenciar?
O formato do corte, a pressão repetida e o atrito entre os dedos podem favorecer o encravamento ou agravar uma área já sensibilizada. A orientação geral é que o cuidado com as unhas seja realizado com atenção à anatomia, à visibilidade do local e ao risco individual. Pessoas com alterações de sensibilidade, circulação comprometida, deformidades ou histórico de feridas podem precisar de avaliação profissional antes de qualquer procedimento.
O calçado também precisa ser observado. Modelos que comprimem os dedos, criam pontos de atrito ou não acomodam alterações do pé podem manter a pressão sobre a borda da unha. A análise não deve se limitar ao tamanho aparente do calçado: é necessário considerar ajuste, espaço interno, estabilidade e a forma como o pé se comporta durante a marcha.
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Como funciona a consulta de Enfermagem em Podiatria Clínica?
Calos, fissuras e alterações nas unhas
Neuropatia periférica diabética
Calos, fissuras e alterações nas unhas.
Por que avaliar sensibilidade e circulação antes de qualquer intervenção?
A sensibilidade protetora ajuda a sinalizar pressão, calor, dor e trauma. Quando está alterada, a pessoa pode não perceber que um procedimento causou uma nova lesão ou que um calçado está comprimindo a pele. A neuropatia periférica diabética pode afetar o sistema nervoso periférico e, por isso, faz parte da avaliação integral dos pés.
A circulação também interfere na resposta dos tecidos. A análise clínica pode incluir inspeção, palpação, avaliação de pulsos, investigação de sinais de doença arterial periférica e testes específicos conforme os protocolos do serviço. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre neuropatia periférica diabética reforça a importância de reconhecer alterações neurológicas que aumentam a vulnerabilidade dos pés.
Como a Podiatria Clínica contribui para a prevenção?
A Podiatria Clínica integra avaliação, educação em saúde, prevenção de lesões e acompanhamento dos pés. O enfermeiro pode orientar a inspeção diária, ajudar a reconhecer mudanças, registrar os achados, acompanhar a evolução e encaminhar o paciente para outros profissionais quando necessário. A conduta deve respeitar a avaliação clínica, os protocolos institucionais e os limites de competência profissional.
A Resolução Cofen nº 813/2026 regulamenta a atuação da equipe de Enfermagem em Podiatria Clínica. Esse referencial reforça que o cuidado deve ser organizado, documentado e realizado por profissionais habilitados, especialmente quando há risco de lesão ou necessidade de intervenção.
Como aprofundar conhecimentos sobre saúde das unhas e dos pés?
O cuidado de pessoas com diabetes exige atenção aos detalhes, comunicação clara e integração com a equipe multiprofissional. Enfermeiros que desejam aprofundar conhecimentos em avaliação, prevenção e manejo especializado podem conhecer a Pós-graduação em Enfermagem em Podiatria Clínica da USCS, uma especialização voltada ao desenvolvimento de competências na área.
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