Problemas de memória: quando a avaliação neuropsicológica é necessária

Nem toda queixa de memória indica déficit cognitivo. Entenda como a Neuropsicologia diferencia esquecimento emocional de alterações cognitivas reais.
“Estou esquecendo tudo.”
Essa é uma das queixas mais frequentes em consultórios, ambulatórios e serviços de saúde. Esquecimentos, lapsos de atenção, dificuldade de concentração e sensação de mente confusa costumam ser rapidamente associados a problemas de memória, e, em muitos casos, ao medo de doenças neurodegenerativas.
No entanto, a prática clínica mostra que nem toda queixa de memória corresponde, de fato, a um comprometimento mnésico primário. A Neuropsicologia atua justamente nesse ponto: compreender o que está por trás da queixa, diferenciando alterações cognitivas reais de manifestações secundárias a fatores emocionais, contextuais ou funcionais.
É nesse olhar ampliado que a avaliação neuropsicológica se torna essencial.
Queixa subjetiva de memória: quando o sintoma não revela o diagnóstico
A queixa subjetiva de memória é comum em diferentes fases da vida e pode surgir mesmo quando os testes objetivos não indicam prejuízos significativos. Ansiedade, estresse crônico, sobrecarga emocional, depressão e privação de sono são fatores que afetam diretamente a atenção e o processamento da informação — etapas fundamentais para que a memória funcione adequadamente.
Quando a atenção está comprometida, o registro das informações falha. O resultado é a sensação de esquecimento, ainda que a memória, em sentido estrito, esteja preservada. Sem uma avaliação cuidadosa, esse quadro pode ser interpretado de forma equivocada, gerando preocupação excessiva no paciente e na família.
A Neuropsicologia permite diferenciar a queixa subjetiva de um déficit cognitivo objetivo, evitando diagnósticos precipitados e encaminhamentos inadequados.
Antes de aprofundarmos no papel da Neuropsicologia na avaliação da memória, é importante compreender como as emoções influenciam diretamente o funcionamento cognitivo. Assista ao vídeo abaixo.
Memória, atenção e funções executivas: uma relação indissociável
Na vida real, a memória não funciona de forma isolada. Ela depende da integridade de sistemas como atenção, linguagem, funções executivas e velocidade de processamento. Dificuldades em qualquer uma dessas áreas podem se manifestar como “problemas de memória”.
Por exemplo, um adulto sob estresse ocupacional intenso pode apresentar dificuldade de planejamento, tomada de decisão e organização mental. Esses prejuízos executivos afetam a forma como as informações são codificadas e recuperadas, produzindo falhas aparentes de memória.
A avaliação neuropsicológica investiga essas relações de forma integrada, identificando se o problema está no armazenamento da informação, no acesso a ela ou nos processos cognitivos que a sustentam.
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Ansiedade, depressão e o impacto cognitivo
Transtornos emocionais figuram entre as principais causas de queixas cognitivas na população adulta. Estados ansiosos estão associados à hiperatividade mental, ruminação e dificuldade de concentração, enquanto quadros depressivos podem gerar lentificação cognitiva, redução da iniciativa e sensação de esvaziamento mental.
Nesses casos, o esquecimento não decorre de um dano neurológico, mas de um funcionamento cognitivo ineficiente, influenciado pelo estado emocional. A Neuropsicologia contribui ao identificar esse padrão, orientando intervenções mais adequadas e evitando interpretações alarmistas.
Esse diagnóstico diferencial é crucial para o cuidado ético e responsável.
Quando investigar um possível comprometimento cognitivo
Embora muitas queixas de memória estejam associadas a fatores emocionais ou contextuais, existem situações em que a investigação neuropsicológica se torna indispensável. Mudanças progressivas no funcionamento cognitivo, prejuízos funcionais no cotidiano, desorientação, dificuldades para realizar tarefas habituais e relatos consistentes de familiares são sinais de alerta.
Nesses casos, a avaliação neuropsicológica contribui para identificar padrões compatíveis com transtornos neurocognitivos, distinguindo envelhecimento normal de alterações patológicas e auxiliando no planejamento do cuidado.
A decisão de investigar deve ser baseada em critérios clínicos, e não apenas na intensidade da queixa.
O papel da avaliação neuropsicológica na vida real
Na prática, a avaliação neuropsicológica não serve apenas para “medir memória”. Ela organiza hipóteses clínicas, orienta diagnósticos diferenciais, subsidia decisões terapêuticas e oferece devolutivas que ajudam o paciente a compreender seu próprio funcionamento cognitivo.
Ao esclarecer a origem da queixa, a Neuropsicologia reduz sofrimento psíquico, orienta encaminhamentos adequados e contribui para intervenções mais eficazes — seja no campo clínico, educacional ou ocupacional.
Esse olhar integrado é o que diferencia a atuação especializada da leitura simplificada dos sintomas.
Formação sólida para uma escuta clínica qualificada
Para realizar esse tipo de análise, o neuropsicólogo precisa de formação sólida, que vá além da aplicação de testes. O raciocínio clínico, a interpretação dos dados e a integração com o contexto de vida do paciente são competências construídas ao longo de uma formação especializada.
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