
A saúde dos pés envolve observar a pele, as unhas, a sensibilidade e as condições para caminhar com conforto. Feridas, dormência, mudanças de cor ou temperatura e dores persistentes justificam avaliação profissional. Reconhecer essas alterações e manter cuidados diários ajuda a organizar a prevenção, especialmente quando existem condições que aumentam o risco de lesões, como o diabetes.
O cuidado começa antes de uma ferida aparecer. Para o enfermeiro, relacionar as queixas ao histórico de saúde, à circulação, à sensibilidade e à rotina da pessoa permite planejar orientações e acompanhamento. Um sinal isolado não define um diagnóstico, mas pode indicar que é hora de examinar os pés com mais atenção.
Quais sinais nos pés merecem avaliação profissional?

Feridas, fissuras, mudanças nas unhas, formigamento, dormência, queimação e alterações de cor merecem ser comunicados à equipe de saúde. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde reúne sinais e orientações preventivas para pessoas com diabetes, incluindo a observação diária e o relato de alterações nas consultas.
É útil informar quando o problema começou, se está se modificando e se interfere no caminhar. O contexto ajuda a diferenciar situações que exigem acompanhamento daquelas que precisam de atendimento mais rápido. Não se deve esperar uma lesão doer ou se tornar extensa para procurar orientação, sobretudo quando há diabetes ou perda de sensibilidade.
Ferida acompanhada de febre, secreção ou vermelhidão em expansão exige avaliação rápida. Pé que fica subitamente frio ou pálido, especialmente com dor intensa ou dificuldade de movimentação, também requer atendimento urgente. O Manual do Pé Diabético do Ministério da Saúde descreve situações infecciosas e circulatórias que demandam encaminhamento urgente. Esses sinais não devem ser tratados apenas com cuidados caseiros.
Quais cuidados diários favorecem a saúde dos pés?
Observar os pés, fazer higiene cuidadosa, secar bem e usar calçados adequados são medidas preventivas. Para pessoas com diabetes, a rotina deve ser ajustada à avaliação de risco e às orientações recebidas. A inspeção pode incluir a planta, o dorso, os calcanhares e os espaços entre os dedos, com ajuda de um espelho ou de alguém de confiança quando necessário.
Alguns pontos ajudam a organizar esse cuidado:
• Observar: procurar cortes, bolhas, rachaduras, áreas de atrito e mudanças de cor.
• Higienizar e secar: evitar água quente e secar cuidadosamente, inclusive entre os dedos.
• Proteger a pele: hidratar áreas ressecadas conforme orientação, evitando creme entre os dedos.
• Conferir os calçados: verificar se há objetos ou partes internas que possam machucar.
Essas medidas estão alinhadas às orientações do Ministério da Saúde. A escolha do calçado também precisa considerar formato dos pés, ajuste e pontos de pressão. Quando existe risco aumentado, a indicação de recursos específicos deve resultar da avaliação profissional. Calos, unhas espessadas ou encravadas não devem motivar cortes profundos ou tentativas de remoção em casa.
Por que pessoas com diabetes precisam de acompanhamento dos pés?
O diabetes pode se associar à perda de sensibilidade protetora e a alterações da circulação. Nessas condições, pequenos traumas podem passar despercebidos e a recuperação de uma lesão pode ser mais difícil. A cartilha da Campanha Lava-Pés 2026 chama atenção para feridas indolores e para a integração entre exame dos pés, orientação e controle da doença.
A ausência de dor não garante que os pés estejam protegidos.
A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre prevenção de úlceras recomenda exame dos pés e acompanhamento de acordo com o risco identificado. Histórico de úlcera, perda de sensibilidade, alterações vasculares e deformidades participam dessa avaliação. A frequência dos retornos, portanto, não deve ser igual para todas as pessoas.
O exame profissional e o autocuidado se complementam. Observar a pele em casa não substitui a avaliação da sensibilidade ou da circulação, assim como uma consulta sem alterações não elimina a necessidade de cuidados entre os retornos. O objetivo é reconhecer mudanças e manter um plano de acompanhamento compreensível e possível de realizar.
Como a Enfermagem em Podiatria Clínica participa da prevenção?
O enfermeiro especialista atua na avaliação dos pés e membros inferiores, na identificação de necessidades de cuidado, na educação em saúde e no acompanhamento, respeitando sua habilitação. A Decisão Cofen nº 263/2023 reconhece a Podiatria Clínica como especialidade do enfermeiro.
Quando há lesões cutâneas, a Resolução Cofen nº 787/2025 estabelece avaliação clínica integral e respeito às competências técnicas e legais. Registro dos achados, planejamento do cuidado e encaminhamento à equipe multiprofissional, quando necessário, contribuem para a continuidade da assistência.
A prevenção também depende de conhecer as condições reais de autocuidado. Dificuldade para enxergar a planta dos pés, limitações de mobilidade ou dúvidas sobre o calçado precisam entrar na conversa. Uma orientação só se torna útil quando a pessoa entende o que observar, como buscar ajuda e onde será acompanhada. Para conhecer essas etapas, veja como funciona a consulta de Enfermagem em Podiatria Clínica.
Como aprofundar o cuidado dos pés na especialização?
Na USCS, a especialização presencial em Enfermagem em Podiatria Clínica aborda avaliação vascular e neurológica, pé diabético, onicopatias, dermatoses e feridas crônicas. Integramos conhecimentos teóricos, atividades práticas e estágio supervisionado para desenvolver competências relacionadas à prevenção e ao cuidado dos pés e membros inferiores.
Para enfermeiros que desejam aprofundar esse campo, conheça a Pós-graduação em Enfermagem em Podiatria Clínica da USCS. Relacionar avaliação, comunicação e acompanhamento permite olhar para a saúde dos pés dentro do cuidado integral à pessoa.
Perguntas frequentes
É preciso esperar uma ferida doer para buscar atendimento?
Não. Lesões podem ser indolores quando há perda de sensibilidade. Feridas e mudanças nos pés devem ser avaliadas, com atenção especial em pessoas com diabetes.
Observar os pés em casa substitui o exame profissional?
Não. A observação ajuda a perceber mudanças, enquanto o exame profissional considera histórico, sensibilidade, circulação e outros fatores de risco.
Toda pessoa com diabetes precisa retornar no mesmo intervalo?
Não. O intervalo depende do risco e das necessidades identificadas. A equipe de saúde deve orientar o acompanhamento e a procura de atendimento diante de novas alterações.
A Podiatria Clínica é uma especialidade do enfermeiro?
Sim. O Cofen a reconhece por meio da Decisão nº 263/2023. A atuação exige respeito às competências profissionais e à habilitação técnica e legal.
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