
A lesão por pressão é um dos eventos adversos mais relevantes na assistência em saúde porque costuma estar associada à mobilidade reduzida, internações prolongadas, fragilidade clínica e falhas na prevenção contínua. Quando não é identificada a tempo, pode causar dor, infecções, maior tempo de internação e necessidade de cuidados mais complexos.
Para enfermeiros, esse tema vai além da execução de curativos. A prevenção envolve avaliação de risco, inspeção da pele, escolha adequada de superfícies de apoio, orientação da equipe e tomada de decisão baseada em protocolos. É nesse ponto que o cuidado especializado em feridas e estomaterapia amplia a segurança do paciente.
O que é lesão por pressão e por que ela exige prevenção contínua?
A lesão por pressão é um dano localizado na pele ou em tecidos subjacentes, geralmente relacionado à pressão intensa ou prolongada, muitas vezes combinada ao cisalhamento. Ela aparece com maior frequência em áreas de proeminência óssea, como sacro, calcâneos, trocânteres e cotovelos.
O problema exige prevenção contínua porque pode se desenvolver de forma silenciosa em pacientes com pouca mobilidade, alteração de sensibilidade, incontinência, nutrição comprometida ou permanência prolongada no leito. Na prática, isso significa que não basta tratar a ferida quando ela aparece. É preciso reconhecer o risco antes da ruptura da pele.
Segundo o Ministério da Saúde, a prevenção de úlcera por pressão integra os Protocolos Básicos de Segurança do Paciente e tem como finalidade prevenir a ocorrência dessas lesões e de outros danos à pele.
Por que prevenir lesões por pressão é mais eficiente do que tratar complicações?
Prevenir lesões por pressão é mais eficiente porque reduz sofrimento, risco infeccioso, tempo de internação e custos assistenciais. Quando a lesão já está instalada, o cuidado costuma exigir curativos específicos, maior tempo da equipe, acompanhamento frequente e, em alguns casos, intervenções mais complexas.
A Rede HumanizaSUS, ao divulgar conteúdo do Proqualis/Fiocruz, aponta que o tratamento de uma lesão por pressão pode custar cerca de R$ 145,40 por dia, enquanto a prevenção tem custo médio estimado em R$ 5,40 por dia).
Uma tese da Escola de Enfermagem da USP também mostrou impacto prático da implantação de protocolo preventivo: em uma unidade de pronto-socorro adulto do HU-USP, a prevalência de úlcera por pressão caiu de 6,67% para 0% e a incidência de 3% para 1,38% após três meses.
Quais medidas fazem parte de um protocolo de prevenção de lesão por pressão?
Um protocolo de prevenção de lesão por pressão reúne ações padronizadas para identificar riscos e reduzir danos antes que a pele seja lesionada. Entre as medidas mais utilizadas estão avaliação de risco, inspeção sistemática da pele, mudança de decúbito, controle da umidade, adequação nutricional, uso de superfícies especiais e educação permanente da equipe.
Essas medidas funcionam melhor quando deixam de ser ações isoladas e passam a compor uma rotina assistencial monitorada. A avaliação de risco, por exemplo, orienta a frequência de inspeção da pele e reposicionamento. Já a educação continuada ajuda a equipe a reconhecer sinais iniciais, registrar alterações e agir antes da piora clínica.
O impacto prático é direto: o paciente recebe cuidado mais seguro, a equipe trabalha com critérios mais claros e a instituição fortalece seus indicadores de qualidade.
➔ Assista ao vídeo: Práticas de injetáveis e tópicas de concentrados no tratamento de feridas
Como a atuação do enfermeiro impacta a segurança do paciente?
A atuação do enfermeiro impacta a segurança do paciente porque conecta avaliação clínica, planejamento do cuidado, orientação da equipe e acompanhamento da evolução da pele. Em feridas e lesões por pressão, pequenas decisões assistenciais podem mudar o desfecho: reposicionar no tempo adequado, proteger áreas vulneráveis, manejar umidade e escolher a cobertura correta quando há lesão instalada.
Além disso, o enfermeiro participa da construção e aplicação de protocolos institucionais. Isso exige domínio técnico, leitura crítica de evidências e capacidade de educar outros profissionais, pacientes e familiares. Sem essa articulação, a prevenção tende a depender da atenção individual de cada plantão, o que aumenta o risco de falhas.
O que a estomaterapia acrescenta ao cuidado com feridas e lesões por pressão?
A estomaterapia acrescenta uma visão especializada sobre prevenção, avaliação e tratamento de feridas, estomias e incontinências. No caso das lesões por pressão, esse conhecimento permite analisar não apenas a ferida, mas também os fatores que favorecem seu aparecimento ou dificultam sua cicatrização.
Isso inclui pele perilesional, umidade, dermatite associada à incontinência, biofilme, infecção, coberturas, desbridamento, dor, mobilidade, nutrição e educação do paciente. O cuidado se torna mais preciso porque considera o contexto clínico e funcional da pessoa, e não apenas o aspecto local da lesão.
Como se especializar para atuar com mais segurança em feridas complexas?
A especialização é um caminho para o enfermeiro aprofundar competências clínicas, desenvolver raciocínio assistencial e atuar com mais segurança em cenários que envolvem feridas, estomias e incontinências. Na prática, isso significa compreender protocolos, reconhecer riscos, indicar cuidados adequados e contribuir para melhores desfechos.
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