Arteterapia na Regulação Emocional: como a expressão artística auxilia no cuidado em saúde mental

Arteterapia na Regulação Emocional: como a expressão artística auxilia no cuidado em saúde mental

Arteterapia na Regulação Emocional: como a expressão artística auxilia no cuidado em saúde mental

O crescimento expressivo dos transtornos emocionais nas últimas décadas tem impulsionado a busca por abordagens terapêuticas que ultrapassem os limites da intervenção exclusivamente verbal. Ansiedade, estresse crônico, depressão e quadros relacionados ao trauma figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho e sofrimento psíquico no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desse cenário, práticas integrativas vêm ganhando espaço na atenção à saúde mental, entre elas a arteterapia, que utiliza a criação artística como instrumento de expressão, elaboração e reorganização emocional.

A arteterapia fundamenta-se na compreensão de que o ser humano possui uma capacidade inata de simbolizar suas experiências. Ao transformar emoções, conflitos e vivências internas em imagens, formas, cores e movimentos, o indivíduo acessa camadas da psique que nem sempre estão disponíveis à linguagem verbal. Esse processo favorece a regulação emocional, entendida como a habilidade de reconhecer, modular e expressar emoções de forma adaptativa, contribuindo para o equilíbrio psíquico e para a melhoria da qualidade de vida.

Entenda o que é Arteterapia
Conheça os fundamentos da Arteterapia

 

O que se entende por regulação emocional

Na psicologia contemporânea, a regulação emocional refere-se aos processos pelos quais as pessoas influenciam quais emoções têm, quando as têm e como as experienciam e expressam. Dificuldades nesse campo estão associadas a uma ampla gama de transtornos mentais, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtornos da personalidade.

A incapacidade de regular emoções de forma adequada pode resultar em impulsividade, isolamento social, ruminação, explosões emocionais ou embotamento afetivo. Nesse contexto, intervenções que favoreçam o contato seguro com as emoções e ofereçam meios de expressão não ameaçadores tornam-se essenciais.

A arteterapia se insere como um recurso clínico que possibilita esse contato de maneira gradual e simbólica. Ao invés de exigir que o indivíduo verbalize imediatamente o que sente, a criação artística permite que ele mostre o que vive internamente, muitas vezes de forma mais acessível e menos defensiva.

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Bases neurocientíficas da arteterapia

Estudos em neurociência indicam que atividades artísticas envolvem múltiplas regiões cerebrais simultaneamente, incluindo áreas relacionadas à percepção sensorial, motricidade, memória, emoção e funções executivas. Esse funcionamento integrado favorece estados de atenção focada e redução da ativação excessiva do sistema de estresse.

A manipulação de materiais como argila, tinta, lápis, tecidos e papéis estimula canais sensoriais diversos, ativando circuitos associados ao tato, visão e propriocepção. Esses estímulos contribuem para a diminuição da hiperativação fisiológica frequentemente observada em quadros ansiosos e traumáticos, auxiliando o organismo a retornar a estados de maior equilíbrio.

Além disso, a repetição de experiências criativas positivas pode favorecer a neuroplasticidade, isto é, a capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões em resposta a novos aprendizados. Esse processo é fundamental para a construção de novas formas de lidar com emoções e situações desafiadoras.

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A expressão simbólica como via de elaboração emocional

Uma das características centrais da arteterapia é o uso da linguagem simbólica. Diferentemente da comunicação literal, o símbolo permite múltiplos significados e acolhe contradições, ambivalências e conteúdos complexos.

Ao criar uma imagem, o indivíduo externaliza aspectos internos que podem estar difusos ou inconscientes. Esse deslocamento do mundo interno para um suporte concreto possibilita maior distanciamento e, ao mesmo tempo, maior clareza sobre a experiência emocional.

Posteriormente, ao observar e refletir sobre a própria produção, o sujeito inicia um processo de atribuição de sentido. Essa etapa favorece o desenvolvimento da consciência emocional, o reconhecimento de padrões e a ampliação do repertório de respostas frente às próprias emoções.

Entenda o papel do símbolo na Arteterapia

Arteterapia e manejo do estresse e da ansiedade

O estresse crônico está associado a alterações no sono, na imunidade, na concentração e no humor. A arteterapia pode atuar como um recurso de redução do estresse ao proporcionar experiências de imersão criativa, semelhantes aos estados descritos como “flow”, nos quais a pessoa se envolve plenamente na atividade.

Durante o processo criativo, a atenção é direcionada para o aqui e agora, o que reduz a ruminação mental e a antecipação ansiosa. Esse efeito favorece a sensação de presença, promovendo relaxamento e maior tolerância emocional.

Em pessoas com ansiedade, a criação artística pode funcionar como um canal seguro para expressar medos e tensões sem a necessidade de enfrentamento verbal direto, diminuindo resistências e facilitando o vínculo terapêutico.

Aplicações clínicas da arteterapia na regulação emocional

A arteterapia é utilizada em diversos contextos:

  • atendimentos clínicos individuais

  • grupos terapêuticos

  • hospitais e serviços de saúde

  • escolas e instituições educacionais

  • acompanhamento de idosos

  • contextos comunitários e sociais

Em todos esses cenários, a prática contribui para o fortalecimento da autoestima, para a ampliação da capacidade de expressão emocional e para o desenvolvimento de recursos internos de enfrentamento.

Veja onde o arteterapeuta pode atuar

A importância da formação especializada

Para atuar com arteterapia de forma ética e responsável, é fundamental que o profissional possua formação específica, que integre fundamentos teóricos, prática supervisionada e compreensão dos aspectos psicológicos envolvidos no processo criativo.

A atuação do arteterapeuta exige sensibilidade, escuta qualificada e conhecimento técnico para compreender as produções simbólicas sem interpretações reducionistas, respeitando a singularidade de cada indivíduo.

→ Entenda como funciona a regulamentação da Arteterapia

Conheça a Pós-graduação em Arteterapia da USCS

A Pós-graduação em Arteterapia da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) oferece formação presencial, com duração de 20 meses e carga horária total de 560 horas, alinhada às diretrizes da UBAAT.

O curso conta com corpo docente formado por mestres e doutores e prepara profissionais para atuar em diferentes contextos, como clínicas, escolas, hospitais, instituições e projetos sociais, integrando arte, psicologia e saúde mental.

Saiba mais:

Pós em Arteterapia