Repensando o uso de aparelhos eletrônicos na primeiríssima infância


Postado em 28/07/2017



Nas últimas duas décadas, muito tem se falado sobre a influência do uso das tecnologias por bebês e crianças pequenas. Embora inúmeras pesquisas já tenham demonstrado que o uso dessas tecnologias afeta a estrutura cerebral do bebê de forma negativa, o uso desses aparatos em casa e em escolas só aumenta. Aparelhos de tv, tablets, celulares e outros aparelhos eletrônicos são pretensamente usados para acalmar, entreter e ensinar.
 
Mas será que eles ensinam mesmo? 
 
Sim! Ensinam uma forma de ver o mundo e ensinam o cérebro a captar milhões de imagens e estímulos sonoros em poucos segundos, sem ter tempo para refletir sobre de onde vêm essas imagens e estes sons.
 
Em algumas pedagogias, o uso de tecnologias é proibido na primeira infância.  Por este motivo, essas pedagogias são até criticadas e julgadas como “antigas” ou “conservadoras”. No entanto, muitos críticos estão revendo seus conceitos conforme avançam os estudos das neurociências sobre o tema.
 
Neste texto damos lugar a uma reflexão importante: e se, ao invés de oferecer tecnologia aos bebês, possibilitarmos que estejam em um ambiente em que eles criem tecnologia?
 
Um móbile giratório, luminoso e sonoro no berço pode ser apenas observado pelo bebê, assim como a televisão ou outros brinquedos em que se aperta um botão. Em contrapartida, um conjunto de latas cilíndricas de diferentes tamanhos ou pedaços de madeira sólida de diferentes formatos e tamanhos podem levar os bebês a descobrirema técnica correta para a construção de uma torre usando inicialmente, por ensaio e erro, noções de seriação, de tamanho, forma, peso e equilíbrio.
 
No primeiro caso, o bebê já é colocado na mesma posição que nós, adultos, enquanto usuários de tecnologia. No segundo exemplo, o bebê é colocado em situação de criador de tecnologias que lhe permitem um uso inovador de instrumentos e objetos para realizar um trabalho. 
 
Como criador, o bebê precisa fazer uso das competências motoras, cognitivas e afetivas de forma integrada a partir de reorganizações sucessivas que ele mesmo controla. Como usuário, o bebê se depara em um mundo com os objetos que perdem suas dimensões, sua estrutura temporal, seus aspectos físicos. 
 
Essas questões já seriam suficientes para compreendermos que a questão principal não é os bebês usarem a tecnologia, mas, neste uso, deixarem de ter a oportunidade, no período mais sensível da vida, e do cérebro, de criarem esquemas cognitivos, motores e afetivos que lhes acompanharão para o resto de suas vidas. 
 
Mas, há ainda outras minúcias que precisam ser consideradas: os riscos psíquicos que derivam do uso desenfreado da tecnologia, os problemas de linguagem e o desencorajamento das relações sociais. 
 
Venha refletir conosco sobre essas e outras questões no curso de pós graduação em Educação de 0 a 3 anos: a especificidade do trabalho na primeiríssima infância, oferecido pela USCS em São Caetano do Sul e São Paulo.
 
Artigo escrito por Leila Oliveira Costa e Nayara Vicari Baracho de Biasi, coordenadoras do curso de Educação de 0 a 3 anos: a especificidade do trabalho na primeiríssima infância da USCS.* 
0800 767 8727
(11) 94548-3386




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