Quanto de dinheiro o Brasil investe na educação?


Postado em 09/10/2018



Talvez esse questionamento seja o mais difícil de se responder, já que vivemos não só um momento muito conturbado e o setor da educação no país é muito caótico. Porém, a resposta dessa pergunta é muito mais complexa do que imaginamos.

Em 2014 o investimento em educação do país foi de 5,4% do PIB brasileiro, correspondente a mais ou menos 298 bilhões anuais. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o investimento que o Brasil faz é maior comparado a outros países que fazem parte da OCDE, como a Argentina.
 

Porém, essa visão muda um pouco quando se faz uma pequena análise do PIB per capita e a quantidade de alunos, ou seja, temos menos dinheiro por habitante. É importante levarmos em consideração o investimento feito por aluno. Em 2014 a média de investimento era de US$11.000 por aluno, variando o valor de acordo com o grau de escolaridade, ou seja, o valor aumenta ao longo dos anos.
 

O investimento do Brasil por aluno é muito pouco, ou seja, o país precisa e muito investir em educação. E tem o detalhe também do valor variar de acordo com as regiões do país, o valor de investimento em algumas cidades é mais alto. Em regiões como o Maranhão o investimento é menor que 3 mil reais.
 

O professor Moacir Marques da Silva, do nosso curso de especialização em MBA em Gestão Pública nos explicou os motivos pelos quais o investimento em educação no Brasil não é suficiente.
 

Confira a entrevista completa:
 

Será que se esse dinheiro fosse melhor administrado nós teríamos melhoras significativas na educação ou tem muito mais coisas a serem ajustadas?
 

Prof. Moacir - A educação pública no Brasil em nível universitário é uma das melhores do mundo, com investimentos assemelhados aos europeus. Como as pesquisas indicam um baixo nível de investimento no ensino fundamental e médio e considerando que os recursos são limitados, acredito que as políticas públicas em educação nesse segmento deveriam ser repensadas em termos de quantidade e qualidade, bem como todo o processo de gestão que envolve a aplicação nos recursos com educação.
 

Por que esse déficit é tão desastroso e afeta tanto setores importantíssimos como a educação e a saúde. Esses setores são mais vulneráveis?
 

Prof. Moacir - O que se observa das pesquisas é que muitas pessoas não concluem o ciclo educacional, visto que mais da metade dos adultos não concluíram o ensino médio e outros 17% não concluíram o ensino fundamental. Isso impacta significativamente na qualidade de vida do cidadão, já que fica restritivo o acesso a oportunidades de emprego e consequentemente a melhorias em sua situação financeira. Talvez esse seja o ponto fundamental a ser enfrentado, uma vez que o serviço público de educação (também de saúde) deve ser obrigatoriamente oferecido à população em obediência à Constituição Federal. Fazer com que todos tenham acesso à educação sem dúvida é o caminho para melhorar a empregabilidade das pessoas com acesso à informação e poder econômico, necessários ao fortalecimento da sociedade que passa a exigir mais qualidade dos serviços prestados.

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